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Quilombo = Resistência

Anuário, Mix tape e Cartão

Sempre identifiquei a palavra “Quilombo” como sinônimo de resistência, não só por igualdade de direitos e de tratamento, mas resistência social e principalmente cultural. Ainda não fiz nenhuma visita a um Quilombo “original”, mas de acordo com essa minha teoria sou vizinho de um Quilombo que mostra a sua resistência cultural através do Hip-Hop. Seu líder-quilombola-linha de frente, um negro que impõe respeito, não só pelo tamanho, mas muito mais pela atitude, a postura e sua história.

DJ King, além de vizinho, é uma pessoa amiga, do bem, sempre pronto a somar com iniciativas e projetos ligados ao Hip-Hop Original. Hoje, além de DJ, é um dos grandes produtores de Rap do país, a qualidade de trabalhos inéditos e remixes que ele tem feito o colocaram nessa posição. Ele tem produzido, tocado e disseminado o “Rap de raiz”, internacional e principalmente o brasileiro. A cada set que faz, em diversas cidades do país, ele prova que é possível tocar Rap brasileiro nas pistas, mas para isso é necessário conhecimento, experiência e a sensibilidade que só os grandes DJs possuem.

Antes de falar sobre a mix tape que ele acaba de lançar, é preciso ressaltar a importância do seu primeiro anuário oficial, que se refere ao ano de 2009. Ele quebrou um recorde pessoal com 257 apresentações durante 1 ano, todas elas registradas e documentadas através de fotos, panfletos, cópias de passagens aéreas, comprovantes de pedágio, etc. Entre essas datas estão contabilizadas as suas residências semanais em casas noturnas de São Paulo, apresentações de norte a sul do país, participações em shows nacionais e internacionais e um público médio anual de 182.000 pessoas.

Com todos esses números e documentos o DJ caminha para ser o primeiro DJ a entrar para o Guinness Book (Livro dos Recordes), como o DJ que mais discotecou em um período de 365 dias. A mix tape em questão (Anuário Volume 1), foi entregue a imprensa e personalidades juntamente com o anuário de 168 páginas, um release e o seu cartão – a réplica de uma fita cassete. Na mix tape, toda a sua sensibilidade e experiência estão nítidas na seleção e ordem das músicas, pode até parecer fácil para quem ouve, mas uma mix tape não é apenas uma coletânea de músicas. É um verdadeiro quebra cabeça que poucos DJs conseguem montar e colocar todas as peças no lugar correto.

Que eu me lembre o DJ lançou 3 mix tapes, uma delas era em fita cassete, não ouvi, mas vi a mix tape no porta luvas do fusca do Nitro Di (Adversus), numa viagem a Porto Alegre. A segunda foi uma bem pra pista, com a participação da Patrícia Liberato (locutora da rádio Transcontinental), mix feita na época que ele era DJ de um programa na rádio. E agora ele presenteia os amantes do bom Rap com uma mix só de Rap brasileiro, com 19 músicas que ele tocou nas pistas durante as apresentações em 2009.

A seleção de músicas é eclética dentro do Rap, pois traz a mistura de diversos estilos, antes de ouvir o CD é difícil acreditar que um DJ conseguiria  manter uma pista cheia com essa seqüência, justamente por isso que uma mix como essa não é pra qualquer um. Costa a Costa, Dexter, Relatos da Invasão, Carlus Avont’s, Sabotage, RZO, MV Bill, Mano Brown, Emicida, Helião e Negra Li, Rosana Bronk’s, DBS, Rincon, Função RHK, Cindy, Kamau, Pentágono e K-Nob. Pegando todos os discos e músicas desses grupos é fácil comparar como peças de um quebra-cabeça, cada um que pegar vai montar de um jeito. O jeito certo de montar? Quem vai responder é a pista, o público, os formadores de opinião especializados, da mesma forma que vão responder o jeito errado de montar.

Antes de terminar, não posso esquecer de destacar a forma que o material foi divulgado, mesmo a mix estando disponível para download, foi fabricado um CD, que foi entregue aos veículos de comunicação, da maneira que deveria ser com todos os trabalhos lançados por aqui, já que tanta gente fala de profissionalismo, podiam começar a praticá-lo. Existem vários DJs e grupos de Rap muito bons, mas são poucos que distribuem e divulgam o seu trabalho de maneira eficiente, para que a repercussão seja a altura da qualidade do que tem sido produzido, é necessário esse trabalho de divulgação. Ficar mandando email com links para download é prático, mas não dá o mesmo resultado.

Só tenho a dizer parabéns ao DJ e obrigado pelo presente, peço até desculpas, por ser um dos últimos a escrever sobre o material, sendo um dos primeiros a receber. Estou no aguardo da coletânea Quilombo Hip-Hop Volume 1, o CD de remixes e o Rolê Urbano.

Agradecido pelo respeito e a consideração desde sempre!

00. King – Intro
01. Costa a Costa – Só Função (remix)
02. Dexter – Sou Função
03. Relatos da Invasão – Picadilha Jaçanã
04. Carlos Avontis – Panos da Hora
05. RZO – Você já Sabe
06. Sabotage – Mun-Há
07. MV Bill – O Bonde Não Para
08. Mano Brow – Mãos
09. Emicida – Eu to Bem
10. Helião e Negra Li – Periferia
11. Rosana Bronk´s – Favelado
12. Rosana Bronk´s – Nu Rolê com Rosana Bronk´s
13. DBS e a Quadrilha – Qui nem Judeu
14. Rincon Sapiência – Elegância
15. Função RHK – Na Pura Calma
16. Cindy – De Onde Eu Vim (Part. Kamau e Max B.O.)
17. Kamau – A Quem Possa Interessar
18. Pentágono – Moio
19. K-Nob _ Pique Meninão
20. King – Final

Baixe a mix tape

Categorias:Matérias, Resenhas
  1. 15 junho, 2010 às 10:25 pm

    Parabéns, Dj King e obrigado pela presença na baixada santista sempre representando o Rap valeuu abraços sucesso !!!

  1. 26 junho, 2010 às 2:26 pm
  2. 6 julho, 2010 às 11:15 am
  3. 6 julho, 2010 às 7:40 pm
  4. 31 agosto, 2010 às 10:41 pm

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