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Entrevista com Kamau

Capa do disco

Capa do disco

MC Kamau é sem dúvida um dos mais criativos e inovadores da cena nacional, além, é claro, de estar sempre atento aos novos MCs, DJs e produtores que surgem. Após 10 anos fazendo Rap, ele lançou esse ano o seu primeiro disco solo, intitulado “Non Ducor Duco” (Não sou conduzido, conduzo). O título é em latim e é o que está escrito no Brasão da Prefeitura da Cidade de São Paulo, onde o MC nasceu, cresceu e vive até hoje. A relação com a cidade em que vive e o momento atual foram os motivos para a escolha desse título.

Quem acompanha o seu trabalho tem conhecimento da vasta discografia de Kamau, uma quantidade de músicas e participações que dariam dois ou três álbuns, mas nesse disco ele colocou apenas músicas inéditas. Até aqui o disco vendeu pouco mais de 1.500 cópias, um número significativo para um artista independente.

O disco traz as participações de: Emicida, Rashid, Stefanie, Rincon Sapiência, Parteum, Rael da Rima, Jeffe, Carlos Avont’s, Thalma de Freitas e os DJs William e Kl Jay. As produções são do próprio Kamau, DJ Suissac (Mzuri Sana), Nave, Parteum, DJ Primo, Munhoz e Filiph Neo.

Esse 1º álbum do Kamau, que quase que por inteiro, foi gravado e mixado por Vander Carneiro no Atelier Studio, transparece a maturidade profissional e artística atingida por ele. A qualidade do disco não pode ser medida pela conquista ou indicação há algum prêmio, ainda mais quando esse prêmio é julgado por quem não entende de Rap. Pois é isso que esse disco é, um disco de Rap, com DJs fazendo scratches, colagens, rimas inteligentes, graves, grooves e samples. Vale lembrar que é mais um lançamento do seu selo, o Plano Áudio.

Kamau será uma das atrações do Indie Hip-Hop 2008, ele se apresenta no domingo (14/12) junto com Projeto Manada, Enézimo e Talib Kweli. Leia a entrevista abaixo e saiba mais detalhes sobre o disco.

Brasão da Cidade de São Paulo

Brasão da Cidade de São Paulo

Revista Elementos: Quando surgiu na sua cabeça a idéia de lançar um álbum solo?
Kamau:
A idéia já existia há algum tempo, mas começou a ser colocada em prática em 2004 após o show do Hieroglyphics.

R.E: Nos seus outros projetos os títulos dos discos foram: Prólogo, Sinopse e Escuta aí. Porque agora “Non Ducor Duco”?
Kamau:
Cada disco tem sua razão de ser e a razão para cada titulo. O Prólogo foi uma espécie de introdução ao disco que o Conseqüência faria, o começo da história que queríamos contar. A mixtape Sinopse foi um resumo de uma história que vinha desde o Conseqüência até o momento de seu lançamento em 2005, passando por participações e letras incompletas perdidas no caderno. O Escuta Ai foi assim pensado para que as pessoas primeiro ouvissem o trabalho antes de rotular, prática muito comum em relação ao Rap. Capitulo I: Non Ducor Duco é o primeiro capitulo de uma história por mim contada, que começou no Prólogo e não sei onde nem quando termina. O lema da cidade de São Paulo veio a calhar no momento em que me encontrava: Tomando sozinho as decisões e direções para onde eu irei. E tem também relação com a minha ligação com a cidade onde nasci, cresci e vivo.

R.E: O que é Plano Áudio?
Kamau:
É um selo, um nome, uma firma de uma pessoa só: Eu. É o nome que acompanhará os trabalhos onde eu estiver diretamente envolvido e bancando. Começou oficialmente no disco do Simples e esse é o segundo lançamento.

R.E: A maioria dos MCs que participam do disco, fazem parte de uma nova geração do Rap paulista. A sua intenção, os chamando pra participarem do disco, é lançar esses novos MCs pelo Plano Áudio?
Kamau:
Não. A intenção com cada participação foi chamar pessoas talentosas com as quais convivo para contribuir com esse capítulo. Cada MC tem muito a ver com a minha visão de cada titulo da música onde participam.

R.E: Ainda falando sobre esses MCs, muitos deles (Rincon, Emicida, Rashid) tem a prática de fazer freestyle, assim como você. Você sente ou eles te falam que foram influenciados pelo seu trabalho?
Kamau:
Eles já me disseram algo do gênero, mas sinto que com a convivência acabamos influenciando uns aos outros. Sou realmente apreciador do trabalho de todos que contribuíram com o disco, antes de mais nada.

Kamau (Divulgação)

Kamau (Divulgação)

R.E: Quem contratar um show seu, o que pode esperar e quem vai estar no palco com você?
Kamau:
Pode esperar Rap feito do jeito que eu aprendi. Cresci ouvindo a tão falada “Era de Ouro do Rap” e isso aparece sempre no palco. Cada show é diferente e tem sua peculiaridade. A formação atual do “time” é: Kamau, Jeffe e DJ Erick Jay.

R.E: Até hoje você é conhecido como um dos melhores MCs de freestyle do país, durante um tempo tinha pessoas que achavam que você só fazia freestyle, assim como pensavam isso do Slim, Max B.O, Marechal, etc. Você fez um trabalho, direcionou a sua carreira no sentido de se desvincular dessa imagem?
Kamau:
Eu apenas trabalhei mais na parte das músicas escritas e decoradas. Foi assim que eu comecei e essa é a herança que vai ficar pros meus filhos. Freestyle é instantâneo. Cada canção tem seu jeito de atravessar os tempos e influenciar mais do que um momento.

R.E: Quais os equipamentos e programas que você tem usado para criar suas bases?
Kamau:
MPC 2000 e MPC 500, além de Sound Forge e discos antigos. Nesse disco fiz algumas no Fruity Loops também, quando estive na casa do Nave em Curitiba.

R.E: Dando uma geral em todas as músicas, quais foram as inspirações na hora de compor, criar e escolher instrumentais e produtores?
Kamau:
Eu penso primeiro no titulo de cada som e no conceito que quero seguir. Aí procuro o instrumental que melhor se adapta a cada conceito, que dá o melhor clima pra canção. Tenho várias influências musicais e vários amigos talentosos. Essa é minha maior vantagem.

R.E: Alguma música inédita ficou fora do disco?
Kamau:
Músicas prontas, não.

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Kamau (Divulgação)

R.E: Agora que o disco está nas ruas, quase 1500 cópias vendidas (até onde sei), quais os próximos passos?
Kamau:
Fazer shows, principalmente. E estou captando imagens desde o começo das gravações e a intenção é fazer um DVD com toda a caminhada desse disco, incluindo ensaios, shows e depoimento dos envolvidos.

R.E: Fale sobre a sua parceria/amizade com o DJ Primo e a importância dele, não só nesse trabalho, mas na sua carreira, na sua vida e na Cultura Hip-Hop.
Kamau:
Talvez o PR!MO tenha sido o maior incentivador desse disco. Quando ele saiu do outro trampo, que tomava mais o tempo dele, nós imediatamente concordamos em trabalhar juntos e a partir dai o disco começou realmente a ser feito. O PR!MO era um amante da cultura como um todo e poucos puderam perceber esse amor além dos toca-discos. Mas era inegável a interação que ele tinha com as MKs. E com isso ele contribuiu muito na visão de vários DJs, fossem eles de show, balada, eventos de B.boy ou que tocam com MCs.

R.E: Quando teremos novidades sobre músicas ou algum projeto novo que você esteja envolvido?
Kamau:
Quando elas existirem. O disco nem andou ainda e já querem novidades?

R.E: Espaço aberto para contatos e agradecimentos.
Kamau:
Agradeço aos que contribuíram pra que esse disco se concretizasse direta ou indiretamente. Gostaria de agradecer principalmente a Vander Carneiro pela paciência e pelos ensinamentos e a todos que contribuem para que a música continue se sustentando e agraciando os mais variados ouvidos, mentes e corações pelo mundo.

Categorias:Entrevistas
  1. Mc thiago
    7 dezembro, 2011 às 8:37 pm

    E ae galera etou entrando no movimento hip hop estou comssando a mandar os improvisos eu e mc binho e no’s nos espelhamos em kamau e Emicida e tamo ai desenvolvendo cada vez mais

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