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Entrevista com DJ RM

DJ RM

DJ RM

Rodrigo Antônio Mello tem 29 anos, mora na zona leste de São Paulo e é mais conhecido pela sigla RM. Ele está há pouco tempo na cena, mas já marcou o seu nome, bem como o de sua Crew de DJs, na história do Hip-Hop brasileiro. Ele foi o representante brasileiro na final do DMC na Inglaterra em 2008, depois de vencer a eliminatória brasileira. Por duas vezes bateu na trave do Hip-Hop DJ – campeonato que foi jurado esse ano – fazendo dobradinha com o seu parceiro no Clã Leste DJs, o DJ Erick Jay, atual campeão.

RM também é produtor e tem feito muitos remixes e alguns beats para grupos como o Irmandade Negra e seus integrantes. Também foi convidado pelo rapper Xis, para mixar a Xis Tape Vol. 01, função que desempenhou muito bem. Mas sem dúvida, o feito mais importante foi representar o Brasil no campeonato de DJs mais importante do mundo.

Em uma breve entrevista, o DJ que é meio tímido pra falar, respondeu perguntas sobre o início da carreira como DJ, a viagem para a Inglaterra, Hip-Hop DJ e as suas produções.

Revista Elementos: Quando e como começou o seu contato com o Hip-Hop?
DJ RM:
Foi com um primo meu, ele ouvia Pepeu, Naldinho e eu gostei da pegada do som ai já era!

R.E: A partir desse primeiro contato, quando você passou a se interessar e ter vontade de ser DJ?
DJ RM
: Ser DJ foi bem depois, eu ia nas festinhas e ficava só olhando pro DJ e achava louco, é um bagulho inexplicável, tá ligado? Comecei a pensar só nisso, ai ferrou!

R.E: Porque RM? Você mesmo colocou esse apelido?
DJ RM:
RM veio de um grupo que fiz com um parceiro da área, tinha que ter uma sigla né, ai ficaram as iniciais do meu nome mesmo R de Rodrigo e M de Mello.

Capa da Xis Tape Vol.01

Capa da Xis Tape Vol.01

R.E: Você lembra quando e como foi a primeira vez que você tocou? Que equipamento era?

DJ RM: A primeira foi num três em 1 da minha mãe, zuei todo de tanto treinar nele!!!!

R.E: Qual foi o seu primeiro equipamento e o primeiro disco?
DJ RM:
Um par de Gradientes sem pitch e um mixer Berzek, arame total, mas quando é pra ser é né cara, não importa o equipamento, importa a vontade! O primeiro disco, se não me engano, foi o do Naldinho, “Melô da Lagartixa”.

R.E: Você prefere tocar em clubes, fazer performances ou tocar pra MCs?
DJ RM:
Performance eu curto mais, é mais difícil ta ligado? Você fica mais ágil até pras outras opções que você falou.

R.E: A sua memória para o uso de colagens é ótima, um MC te mostra uma música e na hora você já pega um disco e seleciona uma colagem. Você escuta até o fim todos os discos que você tem? Como consegue memorizar tantas colagens para usar em determinadas músicas?
RM:
Os que eu tenho acesso eu ouço bastante tá ligado? Quanto a memorizar, sei lá cara… Se você der um tema eu tento lembrar de alguma frase que eu já ouvi, se possível em vinil.

R.E: Quando você participou do HHDJ pela primeira vez e qual foi a sua colocação? Você já tinha o par de toca-discos nessa época, se não tinha como você ensaiava?
RM:
A primeira vez foi em 2003, fui pra repescagem e consegui ir pra final, mas não peguei uma boa colocação, mas valeu pra conhecer o clima. Eu não tinha toca discos não, treinava na casa do DJ Buiu, ele que me incentivou a entrar, ai tô até hoje.

R.E: E o Clã Leste, quando começou, desde quando você faz parte e quem são os integrantes?
RM:
O Clã começou em 2000. por ai, o DJ Zulu que teve a idéia de montar uma banca, o Jerry e o Erick estão desde o começo, eu só entrei em 2003. Conheci os caras no Hip-Hop DJ, tinha uns caras da zona sul também, o nome era Clã Leste-Sul por isso. Agora só tem DJ da zona leste: eu, o Buiu, Jerry, Soares, Erick Jay e o Zulu.

R.E: Você tem produzido alguns instrumentais, fala pra mim quando começou a produzir e quais os equipamentos e programas que você já usou e quais usa atualmente?

RM: Eu sempre gostei de produzir, até sem saber que tava fazendo isso tá ligado? Eu tinha um mixer Gemini com sample, tocava as batidas nos vinis e jogava em cima uns samples. Antes disso fazia uns loops no toca fitas, mó zica! Hoje em dia tenho o computador, faço umas bases nos programas, bem mais fácil, uso o Fruit Loops 8, o Logic e o Sound Forge.

R.E: Você já tem algum equipamento que substitua os vinis, tipo o serato? O que você pensa sobre o uso desses equipamentos?

RM: Ainda não tenho, mais já toquei e curti, tenho uma CDX que dá pra fazer scratch também, é da hora, mas o vinil é insubstituível, é minha opinião, acho válido as tecnologias, mas o vinil é fóda!

R.E: Quanto tempo você demora pra montar uma performance pra um campeonato? Monta sozinho, ou os outros DJs da Crew ajudam?
RM:
Eu na verdade monto por partes. Uma batida aqui, um scratch ali, depois junto tudo e mostro pros caras pra ver o que eles acham, se tiver que mudar alguma coisa, eu mudo, mas é por ai.

R.E: Antes do campeonato um mostra pro outro a performance que preparou?
RM:
Pode crê, agente não tem rivalidade tá ligado? A rivalidade é só no palco, fora dele é nóis!

R.E: E a preparação pro DMC, como foi, já que os critérios eram bem mais rígidos que os do HHDJ, inclusive com jurados internacionais?
RM:
Pra falar a verdade eu não tava nem na pegada de entrar, entrei mais pela insistência dos caras, daí montei uma parada que eu já tinha na manga, que eu já tinha até usado. O Jurassic 5 e o Xis. O Jurassic eu tinha feito na eliminatória do Hip-Hop DJ 2006 e o Xis eu usei na final do mesmo ano, juntei os dois e fiz no DMC, sem pretensão nenhuma de ganhar, foi louco demais cara (risos).

R.E: Como foi na Inglaterra: sua colocação, o contato com os outros DJs, a cidade, etc…
RM:
Cara, acolocação eu não sei até agora, porque eles só divulgam até o quinto, eu tô entre os 10 do mundo isso eu sei (risos), vou sair no DVD do DMC 2008, foi muita honra representar o Brasil e principalmente os parceiros. Quanto ao país, é louco né cara, conhecer outra cultura, foi louco demais dar um rolê por lá, os DJs foram bem receptivos, quando sabiam que eu era brasileiro os caras queriam trocar idéias, vários são doidos pra vir prá cá.

R.E: Você lembra detalhes da sua performance na final, os discos que usou, se teve algum erro grave, algo do tipo?
RM:
Eu fiz a mesma que fiz aqui na final brasileira, quanto a erros acho que errei menos que aqui, fui bem lá, por incrível que pareça tava tranqüilo, foi da hora.

R.E: O que achou do campeão, foi merecido?
RM:
Cara, eu não vi ele tocar, tava no camarim trocando idéia com os DJs, mas deve ter sido boa, foi o DJ Fly né, humildão, tipo o Rafik, muito firmeza também.

R.E: Trouxe muitos discos de lá? Fala ai alguns que eram difíceis de encontrar aqui ou muito caros.
RM:
Trouxe mais álbuns, comprei a maioria na mão do DJ Pogo, entre eles A Tribe Called Quest, Afu-ra, MOP, o primeiro do Wu Tang, fora outros do Wu Tang também. Muito barato lá, aqui é osso, muito caro”. O primeiro do Biz Markie, muito fóda, aqui não acha nem fodendo! Coisas assim, tá ligado?

R.E: Atualmente, além do Clã, quais seus outros projetos?
RM:
Fora o Clã, tem uns projetos com o Buiu, na Arame Records, tô fazendo umas paradas com o Xis, logo mais a Xistape 2 por ai, mixada pelo Erick. Outras mix tapes que tenho na manga, uma delas tem o nome “Resgatando a Essência”, só com Rap nacional dos anos 90, já tá pronta falta lançar, tô fazendo umas produções com o BV (Irmandade Negra) no solo dele que chama “Astro Sagitário” e várias outras coisas que eu não lembro agora.

R.E: E os planos pra 2009?
RM:
Entrar no DMC pra defender o titulo né, registrar a Arame Records pra lançar nossos próprios trampos e logo mais a mix tape do Rato Manhoso mixada por mim e pelo Erick Jay, logo mais quem não sabe quem é o Rato Manhoso vai saber depois dessa mix tape, é isso ai por enquanto.

Categorias:Entrevistas
  1. 11 dezembro, 2008 às 3:00 am

    HUMILDADE e TALENTO.
    Esse ainda vai longe…podem esperar.
    Parabens RM.

    Ps: trocando idea com ele aqui em Londres >> http://www.youtube.com/flrvyzor

  2. 27 dezembro, 2008 às 2:27 am

    buiu para arame records

  3. 27 dezembro, 2008 às 2:35 am

    dj rm meu mano de fé tamos junto até o fim a entrevista foi da h parabens mano voce merece que deus abençoa a sua caminhada muinta paz buiu arame records 2009

  4. Cesão Hostil
    24 fevereiro, 2009 às 2:33 am

    Parabenizar o Gil e toda família do Bocada forte,e só postei pra afirmar que além da fita k7,e de um gemini podrão,ele tinha um tecladinho ,desses de crianças de 3 aninhos de idade…ele fazia o sampler o gemini e usava esse tecladinho…daí eram quase horas de freestyle.Bons tempos!!!
    Positive vibrations!!

  5. 14 março, 2011 às 8:19 pm

    Essa entrevista faz tempo em rsrs!Abraço gil tamo junto manoooo

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